quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Búfalo da Noite

Amar e ser amado é um dos maiores prazeres do ser humano. Isso mesmo quando muitas vezes não vem com a intenção da paixão vem com o sexo antes. Dizem, que para se ter um namoro saudável, o sexo tem que ser bem proveitoso, mas ninguém tem palavras firmes para confirma isso com convicções. Se o sexo deixa o amor mais proveitoso, por que será que nem todo mundo consegue isso? Há duvidas e desilusões, e é quase isso que O Búfalo da Noite trata, as desilusões, tanto amorosa, quando social. Se apaixonar-se, em tempos como hoje, é difícil, manter amigos é mais ainda.

Guillermo Arriaga, renomado roteirista de 21 Gramas, Babel e Amores Brutos, trata em seu livro a história de um triângulo amoroso destinado à loucura, morte e destruição. Uma peça chave de tudo é Gregório, adolescente sensível, a quem a atual realidade do mundo é completamente insuportável. Conforme o mundo gira, sua decisão desencadeia o desespero e a angústia na vida de Tânia, sua ex-noiva, e de Manuel, seu melhor amigo, marcados pelo sentimento de culpa e traição. Não seria diferente ver Arriaga colocar sua história em qualquer lugar do planeta, mas como bom mexicano que é, faz com que a Cidade do México seja o cenário onde estes personagens buscam uns aos outros para sobreviver ao desespero que os invade. Se chorar resolvesse tudo mesmo, talvez Arriaga nem teria escrito esse livro.

Os abismos de toda vida é viver de passado. O problema é que nem todo passado que ficar onde deve, no passado. Fantasmas assombram quem não quer ser assombrado pelo simples fato de agir sem pensar. A ação custa caro, principalmente para quem um dia pagará juros. Toda falta de humildade deixa as preliminares do apego entre amigos abaladas pelo falta de consideração por toda trajetória entre duas pessoas. Se o amor constrói, por que alguns destroem? Arriaga não toca nas questões profundas de como o amor, algo divino e tão maravilhoso para muitos, pode tornar-se algo destrutivo. O autor quer a resposta de cada leitor, como uma interação sem respostas próximas e audíveis.

Famoso por saber brincar com seus personagens, Arriaga não economiza no excesso de besteiras e erros. Nada está tão ruim que não possa piorar. A trama do búfalo não pode ser resumida em apenas dois atos. Se arruinar a vida de alguém é fácil, reverter isso poderia ser fácil também. O problema é que Arriaga gosta de massacrar seus personagens. Nada é o que parece diante da tristeza e culpa por apenas se apaixonar.

Autor: Guillermo Arriaga
Editora: Gryphus
Gênero: Literatura Latino-Americana
Nota: 4,5

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ao Facebook

OK, vai, eu sei que ter uma página no Facebook é extremamente comum entre os blogs por aê, mas com essa consciência me fez pensar que, mesmo eu não tenho um blog estiloso, custa nada fazer uma página lá também.

Em breve, vou mudar algumas coisas no blog, porque essa aparência não tá ajudando muito, mas de primeira, a página tá ai pra quem quiser.

Clique aqui e curta lá. Valeu! :)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

1984

Sua vida é controlada? O quanto você reclama da sua rotina? Se incomoda com os olhares dos vizinho? Se todos parassem para pensar de como tem uma vida simples e não sabe, talvez o mundo fosse mais fácil. Na verdade, em 1984 vemos vidas que não existem. Levantar para trabalhar numa indústria o dia inteiro, é ter a certeza de não ter uma vida... isso quando se tem o conhecimento de que existem possibilidades de se viver melhor. Trabalhar, trabalhar, trabalhar e só trabalhar é uma regra imposta subliminarmente por toda sociedade, seja ela qual for e de sua cultura. Mas como todo homem, medido pela curiosidade, acaba sendo, por sua vez e vontade, teimoso. Mas por sua vez, a sua observação, como sempre, e por sempre, deixa deixa-se envolver pela paixão.A vigilância pelo regime político de forma inconveniente e pela força de imposição ao controle social é deveras assustadora quando imaginada no mundo real. Se ter câmeras de segurança em locais públicos, para alguns, já é um absurdo, imaginar uma câmera vigiando todos os seus passos em residências, local onde a privacidade é mantida como sagrada por quem habita. Ainda mais com a possibilidade de ser ouvido, pois não basta ver o que acontece, tem que ouvir as conversas, também. Se o pensamento é a única forma de escapar da vigilância, por que não escrever? A escrita, por mais vigiada que fosse, não era lida. E quando lida, algo anteriormente foi feito para chamar as autoridades. "Livre Pensamento" é o que o autor chama a discordância do regime pela consciência do cidadão. O simples fato de ter uma lâmina de barbear é muito bem retratada como algo ilegal, caso a conta de propriedades não bater com os números registrados. A engrenagem totalitária da sociedade sufoca, mesmo que na ficção.Com total domínio do Estado, onde tudo é coletivamente, mas cada qual vive sozinho, e sem chances alguma de escapatória de um poder cínico e cruel ao infinito, além, claro, do vazio no sentido histórico pessoal, social e profissional. Trabalhar é uma vontade controlada pelas suposições de funções que o Estado pode lhe oferecer. Se é saudável e forte, será ótimo nos trabalhos braçais, minimamente na construção civil. Se tiver conhecimento de leis, talvez um advogado escravizado. O importante é ter serventia no regime. Uma das frases mais marcantes do livro, talvez a mais famosa, mostra que o real interesse do regime não é nada demais: "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro". Perante ao nome de todo poder, a caçada pela liberdade é algo complexo diante de olhos inocentes e moldados para ver o que foram "treinados" para verem, nada mais do que isso.

Quando foi publicada em 1949, poucos meses antes da morte do autor, essa assustadora distopia datada de forma arbitrária num futuro perigosamente próximo logo experimentaria um imenso sucesso de público. Seus principais ingredientes - um homem sozinho desafiando uma tremenda ditadura; sexo furtivo e libertador; horrores letais - atraíram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de instrução. Não importava, de forma alguma como iriam interpretar o conteúdo do livro, e sim o impacto que ele iria causar em quem o entendesse. À parte isso, a escrita translúcida de George Orwell, os personagens fortes, traçados a carvão por um vigoroso desenhista de personalidades, a trama seca e crua e o tom de sátira sombria garantiram a entrada precoce de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos. E que está até hoje nos corações e memórias de quem o tem em casa.

Autor: George Orwell
Traduções: Heloisa Jahn & Alexandre Hubner
Gênero: Literatura Estrangeira/Ficção Científica
Editora: Companhia das Letras
Nota: 5.0