terça-feira, 9 de abril de 2013

A Estrada

Talvez pessoas olhem esse livro e pensem que se trata só de mais um livro que vai ocupar espaço na estante. O que pouca gente sabe, é que A Estrada é um livro pesado, cheio de desgostos humanos que causam náuseas, muito mais do que um espaço na estante de livros. Cormac McCarthy marcou sua carreira como escritor com belos dramas de fronteiras, e um dia apostou alto escrevendo sua receita habitual, mas ambientado num mundo pós-apocalíptico. Tocando na forma de defesa de um pai para seu filho, as situações do livro lhe deixa impressionado já pela sua descrição. McCarthy é extremamente detalhista em seu texto e não pensa na possibilidade de incomodar alguém com o que descreve. A caminhada dos personagens, não nomeados, até algum lugar no hemisfério Norte que não seja tão frio é travado pelo medo de serem vistos e apanhados por grupos de assassinos que, assim como eles, vagam atrás de comida pela mesma estrada. O problema maior são os assassinos, que além de matarem outras pessoas, de outros grupos, todos tem a tendencia de serem canibais. A falta de comida fez com que personagens secundários tornarem-se canibais, obviamente. Pode faltar comida sempre, mas pessoas fracas e debilitadas, nunca. Aliás, debilitado por demais está o próprio mundo. O autor de forma alguma descreve o que fez o mundo acabar, mas durante a leitura, os personagens se deparam com muitas cinzas pós queimada, córregos de águas amareladas, como veneno, entre outras coisas. Talvez seja a primeira história pós-apocalíptica começada pelo fator religioso, não por vírus, ou invasão alienígena.

Assim como muitos autores, McCarthy não escapa do paradoxo de escrever livros pós-apocalíptico, sem tocar que no fim das contas, são os vivos, os que sobreviveram que devem ser temidos. O problema é que em tempos como esses, em que o mundo não é mais mundo, o extinto de que todos precisam sobreviver aparece, mas com ele aparece a vontade de manter ordem partindo da maldade. O egoísmo, tanto visto no passado, presente e provavelmente no futuro, é o que impera diante dos que vivem nessas condições. No fim das contas, esconder-se também é caminho.

Autor: Cormac McCarthy
Tradução: Adriana Lisboa
Gênero: Literatura Estrangeira
Editora: Alfaguara Brasil
Nota: 5.0

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